Cuidados
na contratação de planos de saúde coletivos
Diante dos
altos preços praticados no mercado de planos de saúde, os
consumidores atraem-se inicialmente pelos planos de saúde
coletivos, por serem mais baratos que os
individuais/familiares. Porém, não são feitos os devidos
esclarecimentos acerca das limitações desse tipo de
contratação, sujeita a aumentos abusivos e sérios riscos
de rescisão unilateral por parte das operadoras de planos
de saúde, o que provoca um cenário de instabilidade e
insegurança para os consumidores.
Enquanto nos planos coletivos existe um intermediário entre
consumidor e operadora - que pode ser um empregador, um
sindicato ou uma associação de classe -, nos contratos
individuais/familiares a contratação do plano é feita
diretamente pelo consumidor.
O órgão responsável pelo setor de planos de saúde - a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS)- regula os reajustes e
a rescisão de contratos individuais/familiares, mas se
omite nesses pontos com relação aos contratos coletivos.
Essa omissão da ANS expõe os consumidores a aumentos
abusivos acima da inflação e do índice estabelecido pela
agência para contratos individuais/familiares, sem contar o
risco, de uma hora para outra, de o contrato de plano de sa©
úde ser rescindido pela operadora.
Tais limitações dos contratos coletivos não são
devidamente informadas aos consumidores, para que haja uma
contratação consciente. Essa modalidade de contrato de
plano de saúde tem crescido vertiginosamente nos últimos
anos: de acordo com a ANS, a modalidade do contrato coletivo
representa 67% dos planos. Se forem considerados somente os
novos contratos, realizados depois de janeiro de 1999, o número
sobe para 75,7%.
Embora os preços iniciais dos planos de saúde coletivos
sejam, em regra, menores dos que os praticados para planos
individuais/familiares, a tendência, no decorrer dos anos,
é que a diferença de preços diminua, correndo-se o risco
de que os contratos coletivos fiquem tão ou mais caros que
os individuais/familiares. Como os coletivos são
reajustados por índices estabelecidos pelas próprias
operadoras, tendem a ser maiores que o índice da ANS -
aplicados aos contratos individuais/familiares.
Caso esteja pensando em contratar um plano de saúde, não
se esqueça das limitações dos planos coletivos, e leve-as
em consideração no momento da escolha. Além disso,
lembre-se que todos os contratos de planos de saúde estão
sujeitos aos reajustes anuais, por faixa etária (exceto após
os 60 anos, o que é vedado pelo Estatuto do Idoso) e por
sinistralidade.
A fim de fazer com que você escolha o melhor contrato, o
Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor -
realizou uma pesquisa de mercado, disponível no site
www.idec.org.br, e oferece as seguintes orientações:
- Verifique se a operadora possui registro na ANS e se está
sob direção fiscal ou técnica (www. ans.gov.br ou 0800-
701 9656);
- Leia o contrato antes de assiná-lo, e exija uma cópia
dele e da relação atualizada dos prestadores credenciados;
- Saiba que os preços iniciais podem ser fixados livremente
pelo mercado, e, ainda que os planos tenham uma cobertura
padrão, variam muito dependendo da empresa;
- As carências podem ou não ser impostas na contratação.
Fique atento, pois há bastante variação entre as
operadoras;
- Para escolher a melhor operadora, considere preços e
reajustes por faixa etária, as necessidades e características
do grupo que será segurado.
O Idec é uma associação independente e sem fins
lucrativos, que há 19 anos defende os direitos dos
consumidores. Informações: (11) 3874-2152- www.Idec.org.br.
(Idec/Folha de Londrina-21.10)
Usuário
teme fechamento de plano de saúde
Alagoas - Antônio
Fernandes é portador de esclerose lateral amniótica e
precisa suários do plano de saúde da OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil) estão preocupados com o anúncio do
seu fechamento, feito esta semana pela Caixa de Assistência
dos Advogados. Ontem, a cabeleireira Maria José Silva
Santos denunciou o plano no Ministério Público Estadual (MPE).
Sua intenção é evitar que seu marido, o servidor Antonio
Fernandes da Silva, 49, deixe de receber assistência médica.
Portador de esclerose lateral amniótica uma doença
degenerativa Antonio Fernandes precisa se submeter a
tratamento 24 horas por dia. Até ontem, ele contava com
atendimento no sistema Home Care, mas a empresa prestadora
do serviço já anunciou que não poderá mais oferecer o
tratamento.
Usuário do OAB Saúde há 14 anos, sem que nunca deixasse
de pagar a mensalidade que atualmente é de R$ 300 Antonio
Fernandes teme que fique sem assistência médica, uma vez
que dificilmente outro convênio aceitará a migração de
plano. Uma das saídas, segundo Maria José, seria a
transferência do marido para um hospital, mas até para
isso precisaria de garantias do plano de saúde.
Há duas semanas, a administração do plano se reuniu com
ela para anunciar o fechamento. Inconformada, ela promete ir
até a última instância para não deixar Antonio Fernandes
sem assistência médica. Sem poder falar, ele se comunica
através de um quadro, em que Maria José escreve à médica
o que ele gesticula.
Durante a entrevista, preocupado com a possibilidade de
ficar sem plano, ele pediu para a mulher escrever algo no
quadro. Depois de alguns minutos, ela concluiu a frase do
marido: "Eu quero viver em paz na minha casa".
OAB
Sexta-feira, Paulo Vasquez, presidente da Caixa de Assistência
de Advogados, que administra o plano, disse que está
tentando negociar a migração de alguns usuários para
outros planos, mas reconhece a dificuldade de casos como o
de Antonio Fernandes da Silva. Segundo ele, a Caixa chegou a
conversar com uma empresa administradora de planos de saúde,
mas decorridos oito meses, não se chegou a nenhum acordo.
Paulo Vasquez informou ainda que dos 800 conveniados do OAB
Saúde, apenas dois um deles Antonio Fernandes estão
recebendo atendimento hospitalar e, por conta disso, usando
o plano.
"Vou tentar encontrar uma solução, mas comunico de
antemão que vamos estudar a lei, para fazer tudo
legalmente", ressalta.
Segundo o presidente da Caixa de Assistência, a lei lhe dá
o direito de fechar o plano, desde que isso seja avisado de
forma antecipada. "Vamos cancelar os contratos da forma
menos dolorida possível", adiantou. (Tribuna Online-21.10)
Pesquisa
mostra perfil do setor de Autogestão
A edição
2005 da Pesquisa Nacional da União Nacional das Instituições
de Autogestão em Saúde (UNIDAS) terá seus resultados
divulgados no 6º Congresso de Gestão de Assistência à Saúde,
que, tradicionalmente, reúne centenas de profissionais das
áreas de saúde e correlatas. Com a abertura oficial feita
pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), Fausto Pereira dos Santos, o evento será
realizado nos dias 13 e 14 de novembro no WTC Hotel, em São
Paulo.
Os participantes do Congresso terão acesso, em primeira mão,
aos resultados da Pesquisa, que dizem respeito a mais de 3
milhões de vidas cobertas pelos planos de Autogestão das
filiadas à UNIDAS. A publicação tem como objetivo
fornecer subsídios de análise para os profissionais,
estudiosos e acadêmicos da área de saúde.
Neste ano, o trabalho está sendo realizado pelo Datafolha
Instituto de Pesquisa e trará dados sobre: indicadores de
utilização e custo, perfil das instituições, mecanismos
de regulação, tabela de remuneração, formas de custeio,
dentre outros.
As inscrições para o 6º Congresso estão abertas e podem
ser feitas via internet no site www.unidas.org.br . (Unidas/AssPreviSite)
Aposentados
devem pagar contribuição para plano de saúde
A norma que
isentava aposentados e pensionistas do Mato Grosso do Sul da
contribuição destinada à manutenção de plano de saúde
complementar ao SUS é inconstitucional. A decisão unânime
é do Plenário do Supremo Tribunal Federal.
Os ministros declararam inconstitucional o parágrafo 1º,
do artigo 105, da Lei 2.207/00 com a redação dada pelo
artigo 1º, da Lei 2.417/02, ambas do Mato Grosso do Sul. A
Ação Direta de Inconstitucionalidade foi proposta pelo
governo estadual.
Promulgada pelo presidente da Assembléia Legislativa do
Mato Grosso do Sul, o parágrafo 1º da referida lei
propunha a exclusão da contribuição de “segurados
aposentados e pensionistas, militares reformados e
reservistas, bem como os seus dependentes pelo extinto
Previsul, e os demais segurados por essa lei que adquiriram
o direito à aposentadoria em data posterior à publicação”.
A Procuradoria-Geral do Estado alegou que a norma é
inconstitucional em seu aspecto formal e material. No
primeiro aspecto, argumentou que projeto de lei que implique
aumento de despesa pública é de iniciativa exclusiva do
governador estadual. Quanto ao aspecto material, a PGE
afirmou que houve ofensa ao princípio da igualdade e da
razoabilidade, além de violação a normas constitucionais
de finanças públicas e orçamento.
O relator, ministro Sepúlveda Pertence, submeteu o processo
diretamente ao Plenário para seu julgamento definitivo. Ele
informou que o dispositivo atacado é independente do
restante da lei, pois se trata apenas de exclusão da regra
de contribuição aos beneficiários indicados.
O relator afastou a alegação da PGE-MS de
inconstitucionalidade formal, já que a matéria não é de
iniciativa exclusiva do Executivo estadual, pois não se
trata de orçamento. Além disso, Pertence observou que a alínea
“b” do artigo 61 da Constituição não é de observância
obrigatória dos estados, pois se destina exclusivamente aos
territórios federais. (Consultor Jurídico)
Ministério
Público aciona Previna, Blue Life e Atlanta
Bahia - A
Previna Administradora de Serviços Médicos Ltda. é alvo
de duas ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público
estadual na última quarta-feira (18), ambas com pedido de
liminar, incluindo decretação de indisponibilidade dos
bens da empresa e dos seus representantes legais - Álvaro
Marcos de Aguiar e Fábio Cemerka de Aguiar -, 'por ter
agido de modo iníquo e irresponsável, trazendo prejuízos
a milhares de usuários', conforme esclarece a autora da
duas ações, a promotora de Justiça do Consumidor, Joseane
Suzart Lopes da Silva.
A Previna está sendo acionada junto com a Atlanta
Administradora de Plano de Saúde, empresa para a qual
transferiu, em 27 de setembro último, sua carteira de
planos de assistência médica, sem informar aos seus 25 mil
usuários, que já estavam sendo prejudicados pela não
prestação dos serviços contratados, devido ao
descredenciamento e à falta de pagamento, por parte da
Previna, dos médicos, clínicas, hospitais e laboratórios
conveniados, bem como dos profissionais integrantes do seu
quadro operacional.
A Atlanta, por sua vez, que assumiu o compromisso de manter
as condições vigentes dos contratos, sem restrições de
direitos ou prejuízos para os beneficiários, 'vem
esquivando-se de cumprir os termos contratuais, violando o
direito básico dos consumidores e mantendo o alarmante
quadro marcado pela exigência do pagamento dos usuários e
a ausência da necessária contraprestação. Há uma situação
esdrúxula e inaceitável, pois os consumidores despendem
numerário do seu orçamento doméstico para quitarem as
mensalidades, mas não têm acesso aos serviços
contratados', ressalta a promotora de Justiça.
O alvo da outra ação civil é a Assistência Médica São
Paulo S.A., que tem como nome fantasia Blue Life. Em 21 de
junho de 2005, a empresa transferiu para a Previna a
responsabilidade sobre os contratos firmados com a
totalidade dos beneficiários domiciliados no Estado da
Bahia. Como a Previna proporcionava apenas atendimento
regional e os beneficiários da Blue Life contrataram planos
de abrangência nacional, ficou estabelecido que os usuários
poderiam continuar utilizando a rede credenciada da Blue
Life fora da Bahia, cabendo à Previna reembolsá-la.
No entanto, esclarece a representante do MP, 'logo após a
cessão, os usuários conseguiam, com muita dificuldade,
autorização para serem atendidos na rede credenciada à
Blue Life para posterior reembolso pela Previna. Depois,
estavam apenas podendo ser atendidos pela rede da Previna'.
Isto denota, segundo Joseane Suzart, 'o intento ilícito das
acionadas de lesarem os consumidores, pois a Blue Life,
sabedora das deficiências da Previna, transferiu-lhe o
conjunto contratual, sem cuidado com o necessário
cumprimento do estipulado, e a Previna, consciente da
impossibilidade de manter a rede credenciada pela Blue Life
e com o desiderato de se locupletar ilicitamente, aceitou a
negociação em prejuízo dos consumidores'.
Na medida liminar, a promotora de Justiça pede ao juiz da
Vara de Defesa do Consumidor de Salvador que a Atlanta, no
prazo de 24 horas, a contar da intimação da decisão
concessiva da liminar, seja obrigada a cumprir e a manter
integralmente as condições vigentes dos contratos
adquiridos perante a Previna, sendo garantido aos beneficiários
o atendimento devido pelos profissionais e estabelecimentos
hospitalares, laboratoriais e congêneres, relacionados no
Guia Médico da alienante, sem exclusão indevida, não
estabelecendo qualquer espécie de carência adicional. Na
mesma liminar, o MP pede a decretação da indisponibilidade
dos bens e a quebra do sigilo bancário e fiscal da Previna
e dos seus sócios. Em caráter definitivo, é solicitada
ainda a restituição em dobro das quantias pagas pelos
consumidores a serviços médicos e congêneres
particulares, a partir de 1º de outubro último, em razão
do descumprimento dos termos contratuais pela Atlanta, bem
como a indenização de todos os usuários lesados; a
desconsideração da personalidade jurídica da Previna para
que a empresa e seus sócios sejam condenados a restituírem,
em dobro, todas as quantias pagas pelos consumidores antes
de 1º de outubro, em razão do descumprimento do termos
contratuais, bem como a indenizarem todos os usuários
lesados.
Na outra ação civil, a representante do MP pede
liminarmente que, no prazo de 24 horas, a Blue Life seja
compelida a cumprir e a manter integralmente as condições
vigentes dos contratos celebrados com os usuários
domiciliados no Estado da Bahia, 'cuja carteira foi
ilicitamente transferida para a Previna',
disponilizando-lhes todos os recursos inicialmente
oferecidos; não estabelcer qualquer espécie de carência
adicional nos contratos; a aceitar a adesão de todos os
ex-usuários que, em razão do deficitário serviço
prestado pela Previna, rescindiram a relação contratual. (iBahia)
Juiz
de Fora quer alterar ISS para planos de saúde
Começou a
tramitar, sexta-feira, na Câmara, mais uma mensagem da
Prefeitura que muda o Código Tributário do Município.
Dessa vez, as medidas atingem os planos de saúde e de
medicina em grupo. Pelo texto, eles terão uma nova forma de
apuração da base do cálculo tributável do Imposto Sobre
Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). A principal mudança
diz respeito ao que não será integrado como preço do
serviço. Dessa forma, os valores recebidos de associados,
segurados, cooperados e terceiros, pelos prestadores de
serviços, não serão tributados. O documento também abre
a possibilidade de que os novos critérios estabelecidos
sejam estendidos aos processos de dívidas ativas,
autorizando a Prefeitura a fazer acordos judiciais ou
extrajudiciais. Ontem mesmo, pela manhã, os secretários de
Administração e Recursos Humanos, Renato Garcia, e de
Governo, Sueli Reis, foram à Câmara para, em reunião,
explicar a mensagem, considerada "muito técnica",
aos vereadores. Aproveitaram para pedir ao Poder Legislativo
urgência na aprovação.
Segundos os representantes da Prefeitura, as mudanças são
necessárias porque a situação atual inviabiliza uma
arrecadação mais expressiva e eficiente, e até a implantação
no município de maior número de empresas especializadas no
setor. "Outras cidades, de Minas e do Brasil, também
estão adequando suas legislações nesse sentido",
afirmou Garcia. Sueli garantiu que a nova metodologia
proposta não trará qualquer perda de receita. "Pelo
contrário, projetam acréscimos substanciais na receita do
ISSQN do setor", disse. Na mensagem consta uma previsão
de "incremento na arrecadação do tributo em cerca de
5% do volume atual".
Outro objetivo da Prefeitura, com as alterações em lei de
dezembro de 2003, é evitar a bitributação, conceito jurídico
que, segundo Garcia, é um fator significativo de aumento do
preço do serviço para a população, além de provocar
questionamentos na Justiça. (Tribuna de Minas-21.10)
Falta
insulina para diabéticos - São Paulo
Apesar de
ordem judicial, governo não entrega medicamentos a pelo
menos 250 pessoas na região do ABC
Só nesta semana a aposentada Lurdes Peralta, de 55 anos,
que recebe um salário mínimo por mês e sobrevive com a
ajuda de sua mãe, gastará R$ 300 com insulina. O motivo:
desde o final de setembro faltam insulina e insumos, como
fitas reagentes para controlar a diabete tipo 1, na
Direção Regional de Saúde (DIR II), em Santo André, onde
mora. Isso apesar de Lurdes ter ganho na Justiça o direito
de receber o medicamento todos os meses, sem custos.
Na mesma situação da aposentada estão pelo menos outros
250 usuários da Associação de Diabetes do ABC. São
pacientes que precisam de medicamentos específicos, não
distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e que
entraram com ação judicial contra o governo do Estado,
amparados pela lei estadual 10.782/01 - que garante o
fornecimento universal de medicamentos e insumos. “Um
tratamento básico pode sair por mais de R$ 500 por mês”,
diz o endocrinologista e presidente da Associação de
Diabetes do ABC, Marcio Krakauer.
Além de dois tipos de insulina, uma de ação rápida e
outra de efeito mais lento e constante, Lurdes também
recebe fitas reagentes e outros cinco medicamentos para o
tratamento de complicações causadas pela doença. “Com
os outros remédios ainda dou um jeito, mas a insulina não
tenho como pagar”, diz. A aposentada utiliza as insulinas
até nove vezes por dia. As outras opções são reduzir as
doses diárias por conta própria ou utilizar outro tipo de
insulina, o que em seu caso não tem os mesmos efeitos.
“É um descaso completo”, desabafa.
A DIR II é a responsável pelo atendimento dos pacientes de
sete cidades do ABC - Santo André, São Bernardo, São
Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da
Serra. Sem se identificar, a reportagem do Estado entrou em
contato com a DIR II, que confirmou a falta dos
medicamentos. A funcionária da farmácia da unidade afirmou
que espera a chegada das insulinas para esta semana e que
pede para os pacientes ligarem todos os dias.
Mas a Secretaria Estadual de Saúde, por meio de sua
assessoria, nega a situação e alega que, com exceção de
um tipo de insulina (cujo fornecimento já teria sido
regularizado), não faltam medicamentos nos estoques da DIR
II.
Enquanto a Direção Regional de Saúde de Santo André e a
secretaria não se entendem, as insulinas continuam em
falta. “Vi uma senhora com uma criança portadora de
diabete sair de lá chorando”, diz o representante
comercial João Bosco da Silva, 55 anos, que utiliza dois
tipos de insulina em seu tratamento.
MEDICAMENTO INDISPENSÁVEL
A insulina é o principal medicamento utilizado no controle
da diabete tipo 1. Ela é a reprodução artificial do
hormônio responsável pela redução da glicemia (taxa de
glicose no sangue). Tipos distintos de insulina atuam de
formas diferentes.
A mais comum, disponível nas unidades básicas de saúde (UBSs)
atinge seu pico de ação após oito horas da aplicação.
Já as de ação rápida agem 15 minutos depois da
aplicação e atingem maior eficácia em até duas horas.
Existe ainda a de ação mais lenta e constante. Alguns
pacientes precisam desses dois tipos de insulina para
estabilizar seus níveis de glicose.
Krakauer alerta que a troca por outros tipos de insulina
pode ser arriscada: “Pode provocar infecções e sintomas
da doença que estavam sob controle”. A falta do remédio
pode causar problemas cardíacos, glaucoma, insuficiência
renal e deficiências circulatórias. “Isso é um caso de
polícia, estão descumprindo uma ordem judicial”, diz
Krakauer.S (Emilio Sant’Anna - O Estado de S.Paulo)
O
Samu em crise - São Paulo
A difícil
situação em que se encontra o Sistema de Atendimento Médico
de Urgência (Samu) da Capital, mostrada em reportagem do
Jornal da Tarde - que faz com que os pedidos de ambulância
demorem até duas horas, espera absolutamente incompatível
com um serviço dessa natureza -, exige que a Prefeitura
tome o mais rapidamente possível as medidas necessárias
para corrigi-la.
Entre os principais problemas, segundo as autoridades, está
o elevado número de trotes - eles representariam mais da
metade (3,5 mil) das 6 mil ligações recebidas diariamente
pelo Samu -, que prejudicam a eficiência do serviço. Mesmo
que se confirme esse número que não parece razoável, essa
é uma dificuldade fácil de ser superada. Para inibir essa
prática, basta a instalação de identificadores de
chamadas, que são equipamentos baratos.
Os verdadeiros problemas são o número insuficiente de
ambulâncias e a sua precária manutenção. O Samu da
Capital dispõe atualmente de 126 ambulâncias, das quais se
pode contar com apenas 80, pois as restantes estão em
manutenção preventiva ou quebradas à espera de conserto.
Em média, 10 viaturas quebram diariamente. São essas 80
que atendem aos 900 pedidos diários, os únicos que contam
de fato daqueles 6 mil, depois de descontados os trotes,
cancelamentos e enganos.
É esse número reduzido que explica a demora no
atendimento. Quando o Ministério da Saúde criou o Samu,
calculou-se que nas grandes cidades era necessária uma
ambulância para 80 mil pessoas. Na Capital essa relação
é atualmente de uma para 130 mil, uma situação inaceitável
para a maior e mais rica cidade do País.
Segundo o coordenador médico do Samu, Domingos Guilherme
Napoli, o governo federal errou ao não prever uma cota
adicional para substituir os veículos quebrados. 'Estamos
pedindo mais ambulâncias para o Ministério. Se elas não
vierem no próximo ano, a Prefeitura vai comprá-las',
afirma. Ora, se existem recursos para tal, não há razão
para ficar à espera de uma incerta ajuda federal. Deve-se
comprar logo as ambulâncias, tendo em vista a importância
desse serviço para a população. Outra providência que se
impõe é melhorar a manutenção das viaturas, pois a
experiência já demonstrou que ela está longe de
corresponder às necessidades. (Jornal da Tarde)
Dia
de via-crúcis na saúde em BH - Minas Gerais
Falta de médicos
e outros problemas obrigam pacientes a peregrinar por
hospitais e UPAs da capital
A peregrinação da desempregada Maria Ilda Pereira dos
Santos, de 44 anos, é retrato da via-crúcis de quem
precisou da rede pública de saúde ontem, em Belo
Horizonte. Ela acordou às 6h, enjoada e com muita dor na
barriga. Paralítica, não conseguia permanecer sentada na
cadeira de rodas. Ligou para o sobrinho, o vigilante Fábio
Ferreira de Oliveira, de 25, pedindo ajuda. O rapaz a levou,
por volta de 10h, ao Hospital Pronto-Socorro (HPS) de Venda
Nova, onde não foi recebida. O mesmo ocorreu no Hospital
Municipal Odilon Behrens, no Bairro Lagoinha, região
Noroeste, e na Unidade de Pronto Atendimento Primeiro de
Maio, Norte da capital. Às 16h, no corredor da UPA
Nordeste, lotada, a mulher ainda não tinha previsão de
quando seria atendida.
Fico com muita pena dela. Arrumei um carro para transportá-la,
mas também não posso ajudar muito. Não tenho nem o
dinheiro da gasolina que gastamos , lamentou o sobrinho. O
fato de os postos não funcionarem aos domingos agrava ainda
mais o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Casos
aparentemente simples, como o da cabeleireira Vani Balbino
de Oliveira, de 42, que se queixava de dor de cabeça, se
tornam verdadeiros martírios. Ela chegou às 12h e, no fim
da tarde, ainda não tinha conseguido entrar na UPA
Nordeste. Como sou diabética e estou sem almoçar já estou
sentido tonteira e enjôo , disse. A empregada doméstica
Soraia Rodrigues da Silva, de 47, sofria as dores da
gastrite desde às 10h. Já fui lá dentro, mas só para
vomitar. Depois tive que voltar para a fila de espera ,
afirmou.
Não conseguimos desafogar a unidade. Temos 10 leitos
ocupados, porque não há vagas de internação no João
XXIII nem no Odilon. Pacientes ficam aqui até sete dias
aguardando encaminhamento. Como também não temos laboratório
de análises clínicas, uma consulta simples pode demorar
horas. Todos os exames são feitos fora , justifica o
coordenador do plantão na UPA Nordeste, Daniel Morais. Além
da reforma e dos problemas citados pelo médico, a situação
na unidade é insustentável, porque a demanda é muito
maior do que sua capacidade. A ante-sala do local refletia
as condições de trabalho. Sem pediatra durante o dia,
apenas dois clínicos e um cirurgião deveriam atender mais
de 30 pessoas que se espremiam à espera de atendimento.
Com suspeita de intoxicação alimentar, a peregrinação
pelas unidades de saúde da capital enfrentada pela servente
Rosimere Melo Santos, de 42 anos, não foi muito diferente
da de outros doentes. Ela chegou às 9h na UPA Primeiro de
Maio e não foi atendida. Chegou às 15h na UPA Nordeste e,
às 17h, ainda estava aguardando. Nem ficha eu fiz ,
reclamava. O plantão do HPS e do Centro Geral de Pediatria
(CGP) também estavam lotados. No sábado, o Odilon Behrens,
referência em acidente vascular cerebral (AVC), não tinha
neurologista. Quando falta médico, encaminham para cá e
ficamos sobrecarregados , afirmou o coordenador do plantão
do João XXIII, o pediatra Arimatéia Fonseca. O mesmo
problema foi relatado pelo coordenador substituto do plantão
do CGP: o Odilon, a UPA Venda Nova e a Nordeste não puderam
atender as crianças hoje (ontem) . Resultado: às 18h, mais
de 30 mães com os filhos nos braços esperavam vaga no
centro pediátrico. (Izabela Ferreira Alves - Diário da
Tarde)
Hospitais
superlotados - Minas Gerais
Pacientes
fazem peregrinação por unidades de saúde de Belo
Horizonte sem se atendidos. No início da noite, mais de 30
mães lotavam a sala de espera do Centro Geral de Pediatria
Izabela Ferreira Alves A peregrinação da desempregada
Maria Ilda Pereira dos Santos, de 44 anos, é retrato da
via-sacra de quem precisou da rede pública de saúde ontem,
em Belo Horizonte. Ela acordou às 6h, enjoada e com muita
dor na barriga. Paralítica, não conseguia nem se
equilibrar na cadeira de rodas. Ligou para o sobrinho, o
vigilante Fábio Ferreira de Oliveira, de 25, pedindo ajuda.
O rapaz a levou, por volta de 10h, ao Hospital
Pronto-Socorro (HPS) de Venda Nova, onde não foi recebida.
O mesmo ocorreu no Hospital Municipal Odilon Behrens, no
Bairro Lagoinha, região Noroeste, e na Unidade de Pronto
Atendimento Primeiro de Maio, Norte da capital. Às 16h, no
corredor da UPA Nordeste, lotada, a mulher ainda não tinha
previsão de quando seria atendida.
“Fico com muita pena dela. Arrumei um carro para transportá-la,
mas também não posso ajudar muito. Não tenho nem o
dinheiro da gasolina que gastamos”, lamentou o sobrinho. O
fato de os postos não funcionarem aos domingos agrava ainda
mais o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Casos
aparentemente simples, como o da cabeleireira Vani Balbino
de Oliveira, de 42, que se queixava de dor de cabeça, se
tornam verdadeiros martírios. Ela chegou às 12h e, no fim
da tarde, ainda não tinha conseguido entrar na UPA
Nordeste. “Como sou diabética e estou sem almoçar já
estou sentido tonteira e enjôo”, disse. A empregada doméstica
Soraia Rodrigues da Silva, de 47, sofria as dores da
gastrite desde às 10h. “Já fui lá dentro, mas só para
vomitar. Depois tive que voltar para a fila de espera”,
afirmou.
“Não conseguimos desafogar a unidade. Temos 10 leitos
ocupados, porque não há vagas de internação no João
XXIII nem no Odilon. Pacientes ficam aqui até sete dias
aguardando encaminhamento. Como também não temos laboratório
de análises clínicas, uma consulta simples pode demorar
horas. Todos os exames são feitos fora”, justifica o
coordenador do plantão na UPA Nordeste, Daniel Morais. Além
da reforma e dos problemas citados pelo médico, a situação
na unidade é insustentável, porque a demanda é muito
maior que sua capacidade. A ante-sala do local refletia as
condições de trabalho. Sem pediatra durante o dia, apenas
dois clínicos e um cirurgião, mais de 30 pessoas se
espremiam à espera de atendimento.
Com suspeita de intoxicação alimentar, a via-crúcis da
servente Rosimere Melo Santos, de 42 anos, não foi muito
diferente da enfrentada pelos outros doentes. Ela chegou, às
9h, na UPA Primeiro de Maio e não foi atendida. Chegou às
15h na UPA Nordeste e, às 17h, ainda estava aguardando.
“Nem ficha eu fiz”, reclamava. O plantão do HPS e do
Centro Geral de Pediatria (CGP) também estavam lotados. No
sábado, o Odilon Behrens, referência em acidente vascular
cerebral (AVC), não tinha neurologista. “Quando falta médico,
encaminham para cá e ficamos sobrecarregados”, afirmou o
coordenador do plantão do João XXIII, o pediatra Arimatéia
Fonseca. O mesmo problema foi relatado pelo coordenador
substituto do plantão do CGP: “o Odilon, a UPA Venda Nova
e a Nordeste não puderam atender as crianças hoje
(ontem)”. Resultado: às 18h, mais de 30 mães com os
filhos nos braços esperavam vaga no centro pediátrico.
Emergência sem médico
No Hospital Odilon Beherens, o coordenador do plantão,
Leonardo Machado, não quis comentar a falta de médicos.
“O problema não é do hospital, mas do profissional
designado e isso já é uma questão interna”, argumentou.
Questionado sobre quais médicos teriam faltado ao serviço
e os motivos, limitou-se a dizer que a função social de
uma unidade de saúde é “uma atribuição interna, que não
diz respeito a quem está de fora”.
O neurologista é um especialista fundamental nos casos de
AVC e aneurismas, mas também atua em déficits de força,
dores na coluna e traumatismos cranianos. “O Odilon já
foi mais tumultuado. Melhorou, mas acho que nunca vamos
conseguir chegar aqui e sermos atendido prontamente”,
ponderou o desempregado Mcmüller da Silva Costa, de 34.
Vomitando sangue, com febre e dor no peito, o atendente de
supermercado Samuel Telírio Teixeira, de 18, estava
preocupado. “Acho quer estou com pneumonia, mas do
hospital me mandaram para UPA. Não posso ficar internado
aqui”, concluiu, logo que chegou à unidade da região
Nordeste e viu a fila. Morais, coordenador do plantão,
confirmou a suspeita do rapaz, explicando as atribuições
de cada uma das três instâncias de atendimento na saúde pública:
“O posto de saúde é para casos primários, mais simples.
Como não abrem no domingo, acabamos atendendo, o que também
incha mais a UPA, criada para atender urgências médias e
desafogar os hospitais”.
Pacientes de Varginha e do Hospital São João de Deus, de
Santa Luzia também foram encaminhados para o CGP e outros
hospitais de BH, aumentando a fila e o desespero de quem
aguardava com o filho chorando. “Me deixaram entrar só
para dar um banho. Não deram nem remédio e pediram para
aguardar a chamada pela senha”, disse a garçonete Daniela
de Almeida, de 26, com a pequena Hilari, de 2, no colo há
quase três horas. “Se eu fosse você, sentava, porque
quem chegou às 11h, só entrou às 18h. Tem mais de quatro
horas que estou aqui e não me deram nem satisfação”,
aconselhou à garçonete a manicure Maria Célia Alves, de
26. A filha mais velha de Maria, Taisa, de 10, não parava
de tossir, com febre e a garganta inflamada. Já Tainá, de
seis meses, chorava muito, com a boca inchada e cheia de
erupções. (Estado de Minas)
Tumulto
na fila por consulta - Distrito Federal
Mais de 2 mil
pessoas disputaram senha para atendimento com psiquiatras no
Hospital São Vicente de Paulo, em Taguatinga. Polícia
Militar precisou intervir para conter a revolta de pacientes
e familiares
Direção do hospital não apareceu para dar explicações
aos pacientes que dormiram na fila para conseguir uma
consulta: choro e desmaios
A marcação de consulta no Hospital São Vicente de Paulo (HSPV),
em Taguatinga, virou caso de polícia. Na manhã de
sexta-feira, 2,2 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia
Militar, fizeram fila para conseguir vaga com um dos 30
psiquiatras da instituição. Algumas tentaram furar a fila
e chegaram a trocar socos e pontapés. Inconformadas com a
falta de organização e a quantidade de gente na espera,
outras cobravam explicações dos funcionários. Houve
bate-boca e a PM foi chamada para conter a confusão. A
segurança teve que ser reforçada e outros 10 policiais em
motos ajudaram a controlar a multidão.
Coube à polícia negociar com o hospital a liberação de
senhas. Seriam 600, mas os PMs conseguiram aumentar para
mil. Por volta das 10h30, o subtenente Humberto Silva, que
coordenava a ação, anunciou pelo alto-falante da viatura
que não havia mais vagas. “Quem não pegou a senha deve
voltar para casa e tentar marcar a consulta pelo telefone
3451-9719”, repetia. Nesse momento uma mulher desmaiou e
teve de ser carregada pelos policiais. Houve choro e
revolta.
“Minha esposa faz tratamento há 25 anos. Ela sofre dos
nervos. Se fica sem remédio, tem crise. Não sei o que vou
fazer”, repetia inconformado o aposentado José Nicodemo
Macedo, 79 anos.
Os pacientes relataram que o tumulto começou depois que os
médicos pararam de marcar o retorno na consulta. Conseguir
a senha não amenizou a revolta da dona-de-casa Rosa
Jacinta, 62 anos. “Antes a gente saía daqui com a
consulta do mês seguinte agendada. Agora, toda vez que o
remédio está acabando tem que dormir aqui para pegar
lugar. Ninguém explica por que mudou. É uma falta de
respeito”, desabafou. Uma forte depressão e as crises
epilépticas afastaram o motorista Mauro Sérgio de Oliveira
Sampaio, 28 anos, do trabalho. Ele madrugou, mas não
conseguiu senha. “Minha vida depende desses remédios. Sem
a receita, não consigo o medicamento gratuito e, mesmo se
tivesse dinheiro, não poderia comprar porque são
controlados”, explicou.
O aposentado Alberto Vieira, 46 anos, rezou na capela que
abriga a imagem de São Vicente de Paulo, o padroeiro das
obras de misericórdia, para agradecer a senha. “É difícil
ser atendido aqui. O pior de tudo é ver gente que madrugou
e não conseguiu.”
Novas regras
Ninguém da direção do hospital apareceu para dar explicações.
A instituição é considerada referência em psiquiatria no
DF e Entorno. Todo mês, cerca de 3,5 mil pacientes são
atendidos no ambulatório e outros 3 mil passam pela
enfermagem e internação. A coordenadora de Saúde Mental
da Secretaria de Saúde, Flávia Batistuta, disse que vários
fatores contribuíram para a confusão. Entre eles, a falta
de médicos e um possível erro de informação sobre as
novas regras de marcação de consulta. “Só no São
Vicente de Paulo há uma defasagem de pelo menos 20
psiquiatras. Na rede como um todo, precisaríamos de 200 ou
250 a mais para atender a demanda, que está cada vez
maior”, admitiu. Ainda segundo ela, os médicos deixaram
de marcar os retornos porque não há mais vaga na agenda.
Os funcionários do hospital afirmaram que as consultas são
marcadas entre os dias 20 e 30 de cada mês — para
atendimento no mês seguinte —, mas um cartaz afixado na
portaria do ambulatório informa o contrário. No aviso, o número
30 foi riscado. Quem lê as instruções é levado a
acreditar que desde maio as consultas são marcadas apenas
no dia 20 de cada mês. “Vamos ver o que aconteceu. De
qualquer forma a direção terá que fazer remanejamento de
profissionais para conseguir atender a todos”, afirmou Flávia
Batistuta.
Quem pegou uma das mil senhas distribuídas sexta-feira não
tem garantia de atendimento imediato. Os pacientes serão
convocados até o fim do ano. Quem não conseguiu senha terá
de procurar outras unidades de saúde que tenham médicos
psiquiatras ou tentar encaixe no HSPV. Entre as unidades que
têm psiquiatria, Flávia Batistuta citou o Hospital de Base
e os hospitais regionais do Gama, Taguatinga e Ceilândia.
(Adriana Bernardes - Correio Braziliense-21.10)
As
falhas da saúde -
Distrito Federal
Governo
admite problemas graves como falta de dinheiro e de
profissionais
O sistema de saúde no Distrito Federal está cheio de
falhas. E quem diz é o próprio Executivo. Relatório
elaborado pela Secretaria de Saúde do DF para subsidiar
reuniões da transição de governo aponta 18 problemas
recorrentes no setor. Demora no atendimento, má conservação
das unidades de saúde, estrutura administrativa pesada e
burocrática, excesso de funções gratificadas, baixa
produtividade, dificuldade de atendimento na zona rural e acúmulo
de dívidas são algumas das imperfeições citadas no
documento ao qual o Correio teve acesso com exclusividade.
Um dos dados que chama a atenção no relatório diz
respeito à divisão dos gastos da pasta. Em 2006, a
Secretaria de Saúde administrou orçamento de R$ 1,78 bilhão.
Desse total, R$ 1,23 bilhão (70%) foram destinados a
pagamento de pessoal. Apenas R$ 28 milhões (1,5%) foram
aplicados em investimentos no setor, como a construção de
postos de saúde, hospitais ou compra de equipamentos.
Manter a estrutura da secretaria consumirá 29% do dinheiro
reservado à pasta até o final do ano.
Relatório. Ao mesmo tempo em que admite o "excesso de
funções gratificadas", o relatório da Secretaria de
Saúde informa que há carência de profissionais que atuam
nas áreas fim. A secretaria emprega em cargos comissionados
2.210 pessoas, perto de 10% do total de funcionários do órgão.
São servidores efetivos ou terceirizados que ocupam postos
de gerência, chefia e diretoria. Há 38 funcionários em
cargos de natureza especial, com salários que variam entre
R$ 4,4 mil e R$ 12 mil.
Se sobram chefes, faltam médicos, dentistas, enfermeiros.
Segundo o governo, atualmente estão abertas 1.345 vagas de
médico, 123 de dentista, 493 de enfermeiro, 1.163 de
auxiliar em saúde. Ao todo sobram 7.895 vagas não
preenchidas na rede pública de saúde, apesar de as filas
nos ambulatórios e nas emergências de hospitais indicarem
uma demanda reprimida por atendimento.
O problema não se limita ao déficit de profissionais.
Questionário aplicado pela Secretaria de Saúde para
indicar o número de consultas por médicos lotados nos
postos de saúde registrou que, no primeiro trimestre de
2006, nenhuma cidade do DF alcançou o índice de
atendimento por hora recomendado pela própria Secretaria de
Saúde e endossado pelo Ministério da Saúde. Portarias dos
dois órgãos indicam como ideal o exame de quatro pacientes
(dois de primeira consulta e outros dois retornos) por hora
de trabalho. Esse é um dos critérios usados pelo governo
para medir a produtividade dos profissionais da saúde.
O relatório diário feito por meio da agenda dos médicos
apontou que a média de consultas no DF é de três por
hora. Há cidades em que essa média beira duas pessoas a
cada hora, casos verificados na Asa Sul e na Asa Norte. Em
determinadas épocas do ano, o número de atendimento ficou
abaixo de dois pacientes por hora. As melhores marcas foram
constatadas no Recanto das Emas, Planaltina, Samambaia e
Santa Maria. De 2005 a 2006, a maioria das cidades
apresentou queda nesse índice, apenas em cinco regiões
houve melhora da performance dos médicos, segundo o quesito
estudado. No Plano Piloto a situação piorou.
A Secretaria de Saúde apontou ainda problemas na distribuição
do atendimento na rede pública do DF. Os centros de saúde
deveriam concentrar 80% do acesso à rede pública de saúde.
Atualmente 56% das pessoas que procuram esse tipo de serviço
dão entrada em ambulatórios de centros de saúde e o
restante, 44%, vão às emergências dos hospitais. O ideal,
segundo informam gestores da saúde, é que as emergências
servissem só mesmo aos casos de internação, cirurgia,
onde a atenção básica já não resolva mais o problema. A
falta de cultura do paciente de procurar a atenção básica
para resolver as enfermidades mais brandas aliada às deficiências
do serviço oferecido nos centros de saúde dificultam a
inversão dessa realidade. (Lilian Tahan - Correio
Braziliense/Jornal do Commercio)
Genéricos
variam 119% - Goiás
Pesquisa
feita pelo Procon com 210 itens evidencia necessidade de
pesquisa na compra de remédio
Lançados para serem uma alternativa mais barata para o
bolso do consumidor, os medicamentos genéricos possuem
diferenças exorbitantes nos preços praticados no mercado
farmacêutico. Pesquisa do Procon Goiás feita com 210 itens
evidenciou que alguns medicamentos chegam a apresentar
diferença de mais de 100% no valor cobrado nas farmácias.
A maior variação de preço identificada foi a do antibiótico
Cefalexina, que apresentou variação de 119,60% no preço
sugerido. O mesmo medicamento foi encontrado a R$ 10 e R$
21,96 em farmácias diferentes.
Outro medicamento destacado na pesquisa foi o antidepressivo
Cloridrato de Clomipromina, que chegou a apresentar 118,75%
de diferença no seu preço de mercado, o que equivale a
R$6,5 a mais pago pelo medicamento comprado no local mais
caro. Os medicamentos genéricos entraram no mercado para
oferecer uma alternativa mais econômica para o consumidor
brasileiro, mantendo a mesma qualidade do medicamento
tradicionalmente comercializado. No entanto, mesmo sendo o
produto mais em conta nas farmácias, é preciso pesquisar
bastante antes de adquirir o remédio prescrito.
De acordo com a gerente de Educação para o Consumo do
Procon Goiás, Sara Saeghe Ximenes, o consumidor precisa
ficar atento aos preços pedidos no mercado. “Mesmo
optando por genéricos, é importante pesquisar antes de
adquirir o produto. Nós do Procon não pregamos a
fidelidade com as farmácias, mas sim com o bolso de cada
um. Levantar preços em diferentes estabelecimentos ainda é
a forma mais garantida de se economizar”, orienta.
De acordo com a lei, os medicamentos genéricos devem ser
30% mais baratos que os convencionais existentes no mercado.
Na prática, os preços têm demonstrado diferenças muito
superiores ao índice instituído. O anti-hipertensivo
Capitopril apresenta diferença de 422,3% em relação ao
seu genérico. Enquanto o genérico sai por R$ 6,57, o
convencional é vendido por R$ 34,32. Essa diferença
configura em R$ 27,75 de prejuízo na escolha pelo
medicamento de marca.
O antiinflamatório Piroxicam ficou em segundo lugar na
lista dos que apresentam maiores diferenças de preço entre
genéricos e convencionais. Enquanto o mais em conta sai por
R$ 5,71, o de marca é encontrado no mercado por R$ 23,08. A
diferença entre eles é de R$ 17,37.
O paciente deve pedir ao médico a indicação do genérico
correspondente à substância receitada, orienta Célia.
“Mesmo que o médico não indique o genérico no momento
da consulta, os farmacêuticos dos estabelecimentos sabem
orientar qual a medicação genérica correspondente na hora
da compra”, orienta. (Maria Antonieta Toledo - Diário da
Manhã-21.10)
Parto
cesariana continua crescendo - Acre
Apesar dos
estados brasileiros apresentarem uma grande disparidade
social, o setor de saúde privada continua registrando as
mais altas taxas de cesárea do mundo. Aproximadamente 80%
do total de partos, que são realizados nas unidades de saúde
da rede privada. Mesmo com as recomendações da Agência
Nacional de Saúde - ANS para os profissionais que atuam no
Sistema Único de Saúde – SUS incentivem o parto natural,
o número de cesarianas tem crescido, pois, chega a um
percentual de 28,6% conforme balanço do setor de estatística
do Ministério da Saúde - MS. Diante dos dados apresentados
pela saúde complementar ou SUS, os índices de cesariana no
país estão distantes do percentual exigido pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). Em Países com algumas das menores
taxas de mortalidade perinatal as taxas de cesariana são
inferiores a 10%, por isso, é injustificável a existência
de taxas maiores que 10 ou 15% como ocorre nas unidades
privadas ou públicas.
Diante destes dados estarrecedores, a ANS está elaborando
norma para registro e monitoramento de todos os planos de saúde
que estão sendo ofertado pelas Operadoras. Para Planos Obstétricos,
a operadora terá que apresentar uma rede, com hospitais e
maternidades que tenham leitos de Pré-parto, Parto e Pós-parto
(chamados leitos PPP). Além dos requisitos de acomodação
do trabalho de parto, aliado a apresentação das equipes de
atenção ao parto que com uma enfermeira obstétrica. Esta
norma deverá ir para consulta pública até o final deste
ano, para que possa entrar em vigor no 1º semestre de 2007.
Com isso, os representantes da ANS acreditam que poderá
contribuir para reduzir os índices de cesarianas desnecessárias.
O primeiro passo foi dado com a celebração de uma parceria
com a ONG Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (REHUNA),
que tem como objetivo, reduzir o número de cesarianas na saúde
suplementar (sistema de saúde privado).
A dona-de-casa Patrícia Oliveira Barros, 21 anos, conta que
durante o pré-natal no sistema privado, foi orientada pelo
médico ginecologista optar pelo parto cesariano. Afinal
bastava apenas marcar o horário da cirurgia num hospital
credenciado ao plano de saúde do esposo. Depois de
conversar com os familiares, o casal chegou à conclusão
que era o caminho mais rápido para terem a primeira filha
sem nenhum sofrimento para a mãe. O primeiro passo foi
buscar o agendamento da cesariana, no Hospital Santa
Juliana, para que pudesse dar a luz sem as dores do parto.
Na data e hora marcada, adentrou para a sala de cirurgia,
para que pudesse vir ao mundo a pequena A. O. S., que está
completando três meses de nascida.
A doméstica Ana Nilce de Souza, 38, teve diversas complicações
durante o pré-natal, por causa do problema de hipertensão.
Diante do seu quadro clínico, os profissionais de saúde da
Maternidade Bárbara Heliodora sugeriram que optasse pelo
parto cesariano. Com aproximação do dia de conceber o
segundo filho, teve uma crise de pressão baixa, que obrigou
os médicos lhe encaminhar para o centro cirúrgico. Em
poucos minutos, escutou os gritos da pequena A. V. S., que
está completando dois meses de nascida. Por conta da
intervenção cirúrgica, teve que ficar 24 horas em observação
na enfermaria das parturientes. Mesmo depois de receber alta
médica, ainda passou mais 40 dias de repouso, porque
pudesse cicatrizar o local da cirurgia.
Em contrapartida, a dona-de-casa Wanderléia Martins da
Costa, 29, está com o segundo filho, mas todos vieram ao
mundo, através do parto natural. Como teve o primeiro filho
de parto natural, durante o pré-natal foi orientada pelos
profissionais de saúde da rede pública, que o parto
natural a recuperação da paciente é mais rápida. Assim
que chegou aos nove meses, começou a sentir as contrações
(sinais para dar a luz). Imediatamente pediu ao esposo que
pedisse ao vizinho, para lhes dar uma carona até a
Maternidade Bárbara Heliodora. Depois de duas horas em
trabalho de parto, veio ao mundo a pequena para completar o
casal de filhos. Em seguida, deu de mamar a filho que
adormeceu em seus braços. “É o momento de maior
felicidade, quando tomamos o filho recém-nascido nos braços,
logo após o parto”, comentou Vanderléia. (Rio
Branco-21.10)