Dependentes de planos de saúde vinculados a 40 empresas na Grande Vitória não estão recebendo atendimento credenciado de médicos pediátricos. Ao todo, cerca de 120 profissionais rescindiram os contratos com as operadoras por conta de um impasse referente aos valores das consultas. A decisão foi ratificada em assembleia da categoria.
A informação é do médico Mario Tironi Júnior, integrante de uma comissão honorária da Sociedade Espírito-Santense de Pediatria (Soespe). Segundo o representante da entidade, clientes do plano de saúde da Unimed, a maior cooperativa médica atuante no Estado, não foram afetados.
Já os credenciados aos planos são Bernardo, Golden Cross, PHS, Bradesco Saúde, Samp Assistência Médica, Total Vida e SulAmérica, e muitos outros, ficaram com a assistência pediátrica suspensa. A situação é a mesma para planos de saúde de trabalhadores e aposentados das empresas Vale, Petrobras e Arcelor Mittal, por exemplo. Os planos associado aos grupos Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Unidas (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde) e Senaseg estão na mesma situação.
Segundo o representante dos pediatras, a classe médica iniciou as negociações para elevar os valores das consultas no final do ano passado - foram 90 dias para se chegar a um acordo. Atualmente os profissionais recebem, em média, R$ 40,00 pelo atendimento. Os médicos querem o dobro deste valor. Mario Tironi disse que as operadoras ofereceram reajustes de R$ 48,00 a R$ 60,00.
"Isso estaria muito defasado. Há dez anos o valor médio da consulta era de R$ 25,00. Estamos atendendo quem procurar nossos serviços, mas não estamos arcando com os custos. Informamos que o valor é de R$ 80,00, damos o recibo ao paciente e a pessoa busca ressarcimento com sua própria operadora", afirmou Tironi em entrevista à Rádio CBN (93,5 FM), no final da tarde desta quarta-feira (3).
Há dois meses uma notificação da categoria foi encaminhada para empresas que utilizam os planos citados na reportagem, e vários outros, avisado às operadoras sobre a desfiliação dos médicos pediátricos, e que isto ocorreria em 60 dias, caso as reivindicações dos médicos não fossem atendidas. O prazo venceu no dia 27 de fevereiro.
Desde o final do último mês, gradativamente, clínicas e pediatras, começaram a aderir à quebra de contrato. "Temos dez clínicas e 20 consultórios descredenciados aos planos. Todos aqui na Grande Vitória", afirmou o representante da Soesp. Mario Tironi disse que existem cerca de 15 clínicas na Região Metropolitana capixaba. Tironi não mensurou quantos consultórios ou profissionais prestam atendimento particular. Segundo ele, a adesão já reuniu 120 médicos.
Representantes da Senaseg, Unidas e Abramge, que representam as operadoras dos titulares e dependentes prejudicados em seus respectivos planos de saúde, foram procurados na noite desta quarta-feira para falar sobre o assunto, mas não foram localizados. (Paulo Rogério - Gazeta Online)