Coronavírus: Laboratórios e CNSaúde acreditam em aumento na demanda

27/02/2020

Os laboratórios de medicina diagnóstica e a CNSaúde, entidade representante de hospitais e clínicas privadas, acreditam que deve haver um aumento na procura por testes para detecção do novo coronavírus nos próximos dias após a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil e registro de 11 mortes e mais de 300 contaminados na Itália.

Até o momento, a demanda é pequena nos laboratórios Fleury, Dasa e Sabin que lançaram testes específicos há cerca de duas semanas. Desde então, os três laboratórios juntos realizaram pouco mais de 30 testes para coronavírus, sendo que nenhum deles teve resultado positivo. O único caso positivo até o momento ocorreu no Hospital Albert Einstein, que tem um laboratório próprio e fez a contra prova do exame no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

 

“Provavelmente, a demanda vai aumentar daqui para frente”, disse Celso Granato, médico infectologista do Fleury, que realizou cerca de 15 testes até o momento. O Fleury está comercializando os testes para detecção do novo coronavírus a preço de custo para os hospitais que, por sua vez, podem praticar seus próprios valores.

 

Os exames para detecção da doença só podem ser realizados nos hospitais que trabalham em parcerias com os laboratórios de medicina diagnóstica. “A explicação é que não queremos criar focos de transmissão. Nas unidades, normalmente, há pessoas com baixa imunidade e a presença de pessoas com o novo coronavírus pode levar a um foco de disseminação. A estratégia atual é bloquear o vírus”, disse Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, dona de laboratórios como Delboni Auriemo, Salomão Zoppi, Sergio Franco, entre outros. A Dasa vem realizado cerca de um exame por dia desde que passou a oferecer o teste, neste mês.

 

Ainda segundo Campana, se houver uma epidemia, o grupo Dasa poderá ofertar o teste em unidades específicas.

A CNSaúde, confederação de hospitais, também acredita que haverá aumento no movimento dos hospitais, mas pontua que boa parte poderá vir de pacientes com casos comuns de gripe ou resfriado que estão assustados com a repercussão do coronavírus. “A confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil pode gerar — ainda não começou — uma procura desnecessária dos pacientes pela emergência dos hospitais brasileiros, mesmo sem ter qualquer risco de estar infectados pelo novo coronavírus. Isso não seria bom, pois pode acontecer sobrecarga, sem qualquer necessidade real”, disse Breno Monteiro, presidente da CNSaúde.

O infectologista do Fleury pontua que vem recomendando aos médicos dos hospitais realizarem os testes que contemplam os outros vírus como Influenza, tipos A e B, para que os pacientes saibam que podem não estar infectados pelo novo coronavírus, mas outros tipos de vírus de doenças respiratórias.

Representantes dos hospitais e laboratórios são unâmimes em destacar que não há, atualmente, uma epidemia do novo coronavírus no Brasil. “Não devemos causar pânico na população”, disse Granato, do Fleury. “O uso de máscaras deve ser feito por pacientes com sintomas e profissionais que estão trabalhando com a doença para evitar a escassez desses itens”, disse Campana, da Dasa.

Fonte: Valor Econômico

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