20 Estados ainda têm risco médio de novo pico da doença

08/07/2020

A maioria dos Estados brasileiros deve conviver nas próximas semanas com o “platô” da pandemia da covid-19, mostra estudo da Bain & Company. Nessa situação, os novos casos seguem crescendo em ritmo acelerado, o que mantém a pressão sobre o sistema de saúde e força a revisão das medidas de reabertura da economia. Isso acontece sobretudo nas regiões mais densas, onde a taxa de contaminação tende a subir após a retomada de atividades presenciais.

 

O estudo aponta que, das 27 unidades federativas, apenas três Estados (Amapá, Mato Grosso do Sul e Tocantins) estão em situação confortável, de baixo risco de novo pico de covid-19. Na outra ponta, Acre, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Norte ainda têm o cenário mais crítico de disseminação da doença. Os 20 Estados restantes estão na zona de médio risco. A análise, com dados até 26 de junho, considera a taxa de contaminação, a utilização das unidades de terapia intensiva (UTIs) e número de mortes por milhão de habitantes.

 

O Brasil ainda tem um desafio extra que é a baixa capacidade de testagem. O eventual crescimento de ocorrências da doença pode ser detectado com atraso considerável e complicar o controle do vírus. “O estudo confirma o platô. Faz sentido se a gente pensar que agora estudamos como manter algum nível de reabertura da economia”, afirma Ricardo Gold, sócio da Bain & Company.

 

Uma das métricas mais observadas para acompanhar a evolução da doença, o chamado R0 mede a quantidade de infecções a partir de cada doente. Segundo o estudo, em quase todos os Estados brasileiros, o índice é hoje igual ou maior do que 1, ou seja, cada doente transmite o vírus para ao menos uma pessoa. A dúvida é para quanto esse número pode subir a partir do momento em que a circulação de pessoas seja flexibilizada.

“Ainda não sabemos qual vai ser o R0 [taxa de contaminação] de São Paulo e Rio de Janeiro, que estão com plano de abertura mais forte. Se as medidas de abertura não forem adotadas com calma, os casos podem voltar a aumentar rapidamente”, diz.

 

O mais provável é que a situação brasileira repita o que tem ocorrido nos Estados Unidos, onde diversas regiões têm voltado atrás nas medidas de reabertura à medida em que observam alta das contaminações. Segundo o sócio da Bain & Company, os planos estaduais do Brasil de abertura estão alinhados com as melhores práticas. “O problema é o tripé testagem, tracing [rastreamento de focos da doença] e o isolamento dos suspeitos”, diz.

 

Para Gold, outro empecilho para o controle da doença por aqui é falta de coordenação das ações pelo governo federal. “Tem obviamente melhorado, mas ainda é incipiente se comparado ao que outros países têm feito na adoção de política federais em âmbito local”, afirma Gold.

 

Uma das iniciativas que poderiam ocorrer nesse sentido é a restrição de circulação de pessoas entre os Estados. “Não adianta um Estado estar melhor do que outro no controle da pandemia se as ‘fronteiras’ estão abertas”, compara.

 

Isso foi adotado na França, Espanha e Itália, que fecharam o trânsito entre regiões com diferentes estágios de contágio. “Na Europa existe uma coordenação de abertura e fechamento de fronteiras entre países com similar status epidemiológico, uma discussão que deveria acontecer no Brasil entre os Estados”, diz.

 

Já no Chile, há uma política de “cordões sanitários” no sul do país. “O Centro-Oeste, por exemplo, poderia ter sido melhor isolado. [Medidas como essa] são alavanca importante para a evitar a contaminação pelo país.”

 

Fonte: Valor Econômico

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