Amil e Einstein lançam consulta via aplicativo, e Conselho Federal de Medicina pede explicações

12/07/2019

O Conselho Federal de Medicina (CFM) vai pedir explicações aos diretores-técnicos e médicos da seguradora Amil e do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, por conta do lançamento, nesta segunda-feira, de um serviço de consultas médicas online , via aplicativo.

 

 

Inicialmente disponível para os cerca de 180 mil beneficiários da linha de planos de saúde  premium  Amil One, a consulta virtual será feita por videoconferência. Quinze médicos do Einstein ficarão responsáveis pelo serviço, oferecido sete dias por semana, 24 horas por dia.

 

Maior operadora do país, com 6,2 milhões de beneficiários, a Amil visa atender, com esse serviço, casos comuns e de baixa complexidade — por exemplo, gripe, resfriado, dores de cabeça, de garganta ou de barriga, náusea, cólica menstrual e alergia. O próprio paciente define se quer a consulta à distância, para sua conveniência.

 

O Código de Ética do CFM veta o atendimento a distância, autorizando-o apenas "em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo (presencialmente)", escreveu o órgão em nota.

 

"O atendimento presencial e direto do médico em relação ao paciente é regra para a boa prática médica", continua o comunicado, que diz que, "se confirmado (o desrespeito à regulamentação) , gerará tomada de providências cabíveis)".

 

Caso o conselho conclua que as regras estão sendo descumpridas, instala-se um processo ético-profissional, cujas penas podem incluir advertências, censura, suspensão e, no limite, a cassação do registro médico.

Em nota, o Hospital Albert Einstein afirma que "segue o Código de Ética Médica e respeita seus princípios. Lembra, porém, que devem ser assegurados, na forma da Constituição Federal, ao médico o livre exercício da profissão e ao cidadão o direito ao acesso à saúde".

"No exercício profissional, os direitos do paciente e as regras do Código de Ética Médica são plenamente respeitados pelo Einstein e pelos médicos", completa o hospital.

Procurada pela reportagem, a Amil diz que prefere não se pronunciar.

 

Conselho abriu consulta para regular prática

Em fevereiro deste ano, o Conselho Federal de Medicina editou umaresolução permitindo atendimento a distância em caso de áreas remotas ou desde que a primeira consulta fosse presencial.

Depois de críticas da própria comunidade médica, no entanto, a norma foi revogada . O conselho informou que vai receber sugestões de médicos e entidades da categoria até o dia 31 deste mês para tentar elaborar umanova regulamentação.

O médico Luiz Roberto Londres, diretor do Instituto de Medicina e Cidadania, lembra que essa modalidade de atendimento a distância, também chamada de telemedicina, não é assunto novo.

— Nos anos 1990, eu já fazia telemedicina. Sabe como? O meu paciente me ligava e, de posse das informações sobre ele, eu o orientava, pedia que me desse retorno ou agendasse uma consulta posteriormente. A questão é que nada substitui a relação médico-paciente. Posso falar com segurança que o médico consegue resolver 90% dos casos com uma anamnese bem feita.

Para Mario Scheffer, da Universidade de São Paulo (USP), seja qual for a tecnologia, ela deve ser de adoção facultativa para o usuário do plano de saúde:

— Há uma pressão dos planos de saúde para o uso de aplicativos, e isso nos deixa de pé atrás. A discussão do uso da telemedicina é uma realidade, mas nem sempre ela é desejável. Os aplicativos não podem se tornarem dificultadores de acesso ao atendimento presencial. A sensibilidade, o contato entre médico e paciente é insubstituível.

Na avaliação de Reinaldo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), a telemedicina é irreversível:

— Ainda não dá para dizer o impacto nos custos, mas a expectativa é que reduza, o que poderá resultar em reajuste menores (dos planos de saúde). É bom para o paciente que tem acesso mais rápido e um sistema já consagrado em diversos países da Europa.

 

Operadoras brasileiras já usam aplicativos

Segundo a FenaSaúde, que representa grandes empresas do setor, outras operadoras ofertam serviços por aplicativos, em caráter informativo, conforme determinação do CFM, como estratégia para aprimorar o atendimento.

Na maioria dos casos, o uso dessas ferramentas atende a uma necessidade do próprio beneficiário, que busca maior facilidade de acesso ao médico ou à equipe de assistência.

Esse contato, segundo a FenaSaúde, busca apenas uma orientação inicial, mais simplificada, e se mostra eficiente para evitar a ida do paciente ao pronto-socorro sem necessidade emergencial. Mas, segundo a federação, é preciso deixar claro que não é uma substituição às consultas presenciais.

A SulAmérica ampliou recentemente os serviços prestados por seu aplicativo para atendimento pediátrico. O app serve para o agendamento em domicílio para crianças de até 12 anos e beneficiários a partir de 65 anos, em 26 cidades brasileiras.

Ele também oferece videochamadas com o médico pediatra para orientar e tirar dúvidas no tr atamento de crianças de até 12 anos. Segundo a seguradora, o serviço não configura consulta, mas uma "teletriagem".

 

Já a Bradesco Saúde também utilizou o serviço do Einstein para o desenvolvimento de um projeto-piloto de telemedicina, em 2017, para atendimento de usuários em Carauru (PE).

 

Atualmente, a operadora conta com um serviço de triagem e orientação médica, disponibilizada para 120 mil beneficiários do plano Concierge. Segundo a empresa, o serviço não é equivalente a uma consulta virtual, mas soluciona 51% dos casos sem necessidade de encaminhamento presencial. A Bradesco diz que decidiu por não oferecer a consulta virtual por falta de regulamentação clara.

Fonte: O Globo

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