Artigo: ‘Emprego na Saúde: mais vagas, apesar da crise’

12/11/2020

*Bruno Sobral e Clóvis Queiroz

De janeiro a setembro de 2020, o setor de serviços de saúde abriu 78.697 novos postos de trabalho. No mesmo período, a economia brasileira como um todo fechou quase 558.597 vagas. Mesmo o macro setor de serviços, que é o principal empregador do país em seu conjunto, também registrou resultado negativo, com a perda de 418.040 vagas. Em meio ao drama representado pela crise econômica, agravada pela pandemia do novo Coronavírus, o setor de saúde mostra-se não apenas como responsável por prestar um serviço essencial à população, mas também como um dos principais setores empresariais na geração de empregos e na retomada da atividade econômica.

 

A estimativa da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), baseada em estudo realizado a seu pedido pela M&A Consultoria Econômica, é de que o setor fechasse o ano de 2020 com um saldo positivo de mais de 125 mil empregos, num cenário em que o Produto Interno Bruto (PIB) ficaria pelas projeções em 2,3%. Em relação às vagas criadas no ano passado, esse número representaria um avanço na geração de postos de trabalho de 6,76%. Com a pandemia, o cenário de crescimento do PIB se alterou completamente. Mesmo assim, como criou novas demandas, espera-se que o ano feche com pelo menos 100 mil novos postos de trabalho gerados na saúde.

 

O que explica o desempenho favorável deste setor num momento em que indicadores de outras áreas consideradas grandes empregadoras de mão-de-obra, como a indústria de bens de consumo ou a construção civil, são negativos? Em primeiro lugar, o fato de que a demanda por serviços de saúde não tem a mesma elasticidade que o consumo de outros bens. O consumidor, na crise, pode adiar a compra de um eletrodoméstico, mas pensará duas vezes antes de adiar um exame ou uma consulta médica. Graças a isso, as crises econômicas impactam menos o mercado da saúde.

 

Outra característica importante diz respeito ao alto nível de especialização e à variedade dos profissionais empregados na saúde. Em um hospital de grande porte encontram-se mais de 160 atividades diferentes, e mesmo aquelas mais simples, como a limpeza, exigem treinamento especial devido aos riscos envolvidos, à necessidade de assegurar o local livre de contaminações e realizar o descarte dos materiais com segurança. A especialização contribui para a maior estabilidade do emprego e para reduzir a volatilidade dos postos de trabalho. Essa constância transparece nos números de emprego vistos em longos períodos. Entre 2010 e 2019, o setor gerou anualmente entre 70 e 90 mil postos, com exceção do período de 2015-2017, em que esse número caiu pela metade. Neste intervalo de tempo, no entanto, a economia teve o pior desempenho, com um saldo negativo acumulado de mais de 2,8 milhões de vagas.

 

No conjunto, o setor de saúde emprega cerca de 2,448 milhões de trabalhadores, o que equivale a 6,4% do estoque dos postos de trabalho atualmente existentes no Brasil, que é de 38,251 milhões. A perspectiva é de que esse contingente, que continuou crescendo mesmo nas condições adversas da crise econômica, cresça ainda mais, tão logo a economia retome o fôlego. Esse lugar estratégico que a saúde ocupa no cenário brasileiro, tão bem demonstrado nesses períodos difíceis, merece ser justamente percebido e adequadamente preservado pelas autoridades e pelos legisladores que têm a seu cargo a responsabilidade de promover as reformas na economia, em especial a tributária.

 

*Bruno Sobral, secretário-executivo da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde); Clóvis Queiroz, coordenador-geral Sindical e Trabalhista da CNSaúde

Fonte: Estadão | Fausto Macedo - 07/11

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