Mandetta transfere decisão sobre isolamento social a municípios

08/04/2020

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, suavizou ontem o discurso em relação ao uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes em fase não aguda da covid-19. Ele também justificou a flexibilização na política do ministério para o isolamento social, divulgada na véspera, dizendo que quer dar “parâmetros” para que as prefeituras possam adotar ou não as medidas.

 

A defesa do uso do medicamento e a política de isolamento social estão no cerne do desentendimento de Mandetta com o presidente Jair Bolsonaro, que quase culminou anteontem na demissão do ministro.

 

Mandetta vinha invariavelmente recomendando a aplicação da cloroquina apenas para pacientes em estado grave ou crítico, mostrando-se contrário ao uso em pacientes no estágio inicial da doença ou com sintomas leves. Ontem, em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o ministro foi questionado sobre o tema e delegou a responsabilidade sobre a prescrição para os médicos.

 

“A prescrição médica no Brasil, a caneta e o CRM do médico, está na mão dele. Se ele quiser comunicar o paciente dele, ‘olha, não tenho nenhuma evidência, acho que poderia usar esse medicamento, com tal risco, pode ter isso’, e se ele se responsabilizar individualmente, não tem óbice nenhum”, respondeu. “Mas para que nós possamos assinar que o Ministério da Saúde recomenda que se tome essa medida, precisamos de um pouco mais de tempo para saber se isso pode ser considerado uma coisa boa ou se tem efeito colateral.”

 

Anteontem, o Ministério da Saúde propôs afrouxar o isolamento social a partir do dia 13 de abril em municípios onde metade dos leitos estejam disponíveis. Nesses locais, a pasta passou a propor o chamado isolamento seletivo, para pessoas idosas ou com doenças crônicas.

 

A medida tem como objetivo estimular uma retomada gradual da atividade econômica e da circulação de pessoas. As restrições em cidades e municípios tem colocado em confronto o presidente Bolsonaro com governadores.

 

“Aquilo são princípios. Pega uma cidade como São Paulo. Tem todos os elementos para dobrar, triplicar, reforçar [o isolamento] se quiser porque tem elementos. Eu estou dando parâmetros”, disse Mandetta. “Eu pego uma cidade por exemplo Maracaju, no meu Estado (MS). E falo ‘vou parar tudo’, mas não temos nenhum caso...”

 

Segundo Mandetta, o ministério estabeleceu critérios a pedido das prefeituras. “Não vai ser o ministério que vai falar fecha o bar, o teatro ou para o ônibus, aumenta isso, não vai para o metrô”, disse. “Eu posso dar a eles os ‘guidelines’, eu posso dar a eles os critérios.”

 

Mandetta fez ontem uma reunião por teleconferência com o embaixador da China. E afirmou que haverá um “esforço comum” para concretizar as encomendas de equipamentos que o Brasil pretende importar para combater a pandemia. “Iniciaremos um trabalho conjunto [...] para que cada compra que formos fazer garantirmos mais transparência, solidez, informações a respeito”, disse.

 

O ministro demonstrou novamente ontem preocupação com a falta de equipamentos de proteção e, principalmente, de respiradores para enfrentar o pico da crise provocada pelo coronavírus, que inda está por vir.

 

Fonte: Valor Econômico

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