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Ministério da Saúde admite falta de remédios para intubação por coronavírus

21/07/2020
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Medicamentos sedativos e antibióticos essenciais para tratar e intubar pessoas em estado grave de covid-19 estão em falta no Brasil e com sobrepreço de até 287,44%, em pleno período da pandemia do novo coronavírus.

 

É o que diz um relatório ao qual o UOL teve acesso, com dados cruzados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados). O Ministério da Saúde, após ser questionado pela reportagem sobre os dados da tabela, admitiu o desabastecimento e informou que está auxiliando estados e municípios que não têm conseguido realizar suas compras.

 

O sedativo midazolam, por exemplo, usado antes de procedimentos diagnósticos, é um deles, segundo o levantamento. Assim como a fentanila, medicação para a dor usada com outros remédios para a anestesia. Na mesma linha, estão o relaxante muscular rocurônio, e os medicamentos suxametônio, o pancurônio, cisatracúrio e atracúrio.

 

A análise do Conass foi feita em cerca de 1.500 estabelecimentos de saúde que estão nos planos de contingência dos estados. Foi constatado, por exemplo, que o relaxante rocurónio está em falta em 96% das unidades ouvidas pelo conselho. Já a Anahp verificou o aumento em 91% do preço cobrado pelo medicamento, em consulta a cinco fabricantes.

 

Por outro lado, o sedativo midazolam está em falta em 76% das unidades consultadas pelo conselho e com sobrepreço de 287,44%, de acordo com sete fornecedores avaliados pela associação.

 

Já o atracúrio, fármaco utilizado como bloqueador neuromuscular como complemento de anestesia e facilitador da intubação endotraqueal, está em falta em 76% estabelecimentos e com 197,47% de sobrepreço.

 

O relaxante muscular suxametônio, de ação ultrarrápida para administração endovenosa, está em falta em 64% das unidades e 120,33% mais caro. Em situação similar estão a fentanila e o cisatracúrio.

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Segundo o secretário executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, a situação é preocupante, pois os medicamentos são indispensáveis para o tratamento de pacientes na fase aguda da doença.

 

"Eles são relaxantes e sedativos. Sem isso, o paciente fica numa situação de muito desconforto, é angustiante. Estamos dando um jeito de conseguir estes medicamentos, mas uma hora pode faltar. O Ministério da Saúde já assumiu o compromisso com os secretários de que vai ajudar", disse.

 

Já o presidente da comissão externa que analisa ações de combate à pandemia de Covid-19 na Câmara, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), defendeu que as indústrias nacionais destinem 50% de sua produção para atender ao SUS, no preço da tabela da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

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"Esta medida seria suficiente para zerar a demanda de todas as unidades do país", disse ao UOL.

 

Por nota, a diretoria da Anahp respondeu que realizou um levantamento no dia 27 de maio com os associados e observou que muitos hospitais no Brasil estão com dificuldade de abastecimento de medicamentos sedativos nacionalmente, "além de terem registrado um aumento expressivo nos preços praticados por alguns fornecedores".

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"A entidade ressalta que, no entanto, até o momento, os hospitais membros da associação não deixaram de prestar nenhum atendimento. Para diminuir os impactos do desabastecimento, algumas medidas estão sendo adotadas", respondeu.

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Entre as medidas, segundo a nota, os associados estão trocando informações sobre fornecedores que ainda possuem estoque de produtos e em contato com entidades que representam a indústria. Também estuda novas alternativas, como a importação dos insumos, caso haja agravamento do problema.

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A associação informou que os hospitais deverão notificar à CMED se o valor do medicamento ultrapassar o estabelecido pelo órgão regulador. "A Anahp entende que esses medicamentos são fundamentais para a continuidade dos atendimentos", disse.

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Após ser questionado pelo UOL, o Ministério da Saúde respondeu na tarde desta segunda-feira (20) que, "devido ao desabastecimento de medicamentos utilizados na intubação de pacientes que tiveram complicações pela infecção do coronavírus, a pasta está apoiando estados e municípios, em ação conjunta e coordenada com o Conass e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems)".

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"O objetivo é normalizar o mais breve possível os estoques de anestésicos e relaxantes musculares nos hospitais. Diante do panorama emergencial, o Ministério da Saúde tem realizado diariamente levantamento dos estados e municípios para atender emergencialmente as necessidades de todas as localidades", respondeu.

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Além disso, afirmou que, para a aquisição dos medicamentos em falta, a pasta implementou três ações para mitigar o problema: requisição administrativa, pregão via Sistema de Registro de Preços e cotação para compra internacional via Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

 

Ao mesmo tempo, anunciou que foi aberto um processo de pregão via Sistema de Registro de Preços (SRP). A intenção é proporcionar uma economia em escala e, desta forma, possibilitar a adesão de estados e municípios.

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"Todos os 26 estados e o Distrito Federal aderiram ao processo, que encontra-se em vias de ser publicado. Após esta publicação, a expectativa é que o pregão ocorra até o início da próxima semana", disse.

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Fonte: UOL

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