Vacinação contra covid começa na semana que vem

15/01/2021
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A vacinação contra a covid-19 no Brasil deve começar na semana que vem, após a Agência Nacional de Vigilância Santiária (Anvisa) aprovar as duas vacinas que estão sob análise para uso emergencial no país. O Palácio do Planalto está preparando para o próximo dia 19, terça-feira, uma cerimônia simbólica para marcar o início da imunização contra o coronavírus.

 

Porém, no Ministério da Saúde acredita-se que dificilmente haverá tempo para que isso ocorra antes do dia 21 de janeiro - por questões logísticas e políticas.

 

O governo pretende usar na solenidade a vacina produzida em parceria pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford, com as quais a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fechou um convênio de transferência de tecnologia. Trata-se da principal aposta do governo federal para imunizar a população contra o coronavírus.

 

No campo político, ela rivaliza com a Coronavac, produzida em parceria com o Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac. Nesse caso, a vacina tem como principal padrinho político o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que se tornou um inimigo do presidente Jair Bolsonaro.

 

Porém, o imunizante da AstraZeneca ainda não está sendo produzido em território brasileiro, enquanto o governo de São Paulo diz já haver um estoque de 10,8 milhões de doses da coronavac.

 

Na última sexta-feira, Bolsonaro enviou uma carta ao premiê da Índia, Narendra Modi, pedindo a antecipação do envio ao Brasil de 2 milhões de doses contratadas pelo Ministério da Saúde junto ao laboratório indiano Serum Institute.

 

Hoje, um Airbus da companhia aérea Azul decola deo Recife rumo a Mumbai para buscar o imunizante. Será um voo de 15 horas, sem escalas. A ideia é que a carga chegue ao Brasil no próximo sábado, véspera do anúncio da Anvisa. O pouso acontecerá no Rio de Janeiro, de onde as vacinas serão distribuídas para todo o país.

 

Uma fonte do governo a par do assunto disse ontem ao Valor que o Ministério da Saúde pretende iniciar a vacinação simultaneamente em todos os Estados e “com todas as vacinas que forem aprovadas pela Anvisa”. No entanto, disse a fonte, será preciso inspecionar, reembalar e fazer outros procedimentos com as vacinas da importadas da Índia - um processo que dificilmente estará concluído antes do dia 21.

 

Até ontem, era com essa data que o ministro Eduardo Pazuello e seu entorno trabalhavam para o início da vacinação em nível nacional contra a doença, que já matou mais de 206 mil pessoas no país.

 

Para essa fonte, o mais provável é que a solenidade no Planalto também ocorra no mesmo dia.

 

No evento, segundo fontes da Presidência, serão vacinados um profissional de saúde e uma pessoa idosa, que fazem parte dos grupos no topo da lista de prioridades para a imunização. Bolsonaro já declarou publicamente que não vai se vacinar. Segundo as fontes, essa ainda era a posição do presidente ontem. A previsão, no entanto, é que tanto ele quanto Pazuello participem da cerimônia.

 

O ministro tem sido criticado por suas declarações em relação ao início da vacinação. Em dezembro, ele perguntou “por que tanta pressa” e “tanta ansiedade” em relação a isso. Na segunda-feira, afirmou que a imunização começaria “no dia D” e “na hora H”.

 

Já Bolsonaro tem dado declarações apontadas como um desestímulo para que a população se vacine, além de espalhar informações falsas. Ontem, no Alvorada, questionado por um fã sobre se iria se vacinar, ele respondeu que já havia contraído a doença - ignorando os diversos casos de reinfecção.

 

Ele também já disse, em tom de brincadeira, que quem tomar a vacina pode virar jacaré e, no caso de mulheres, ganhar um bigode.

 

Doria, por sua vez, marcou o início da vacinação no Estado para o dia 25 de janeiro, mas já disse que antecipará a data caso o governo federal inicie a imunização antes disso. O Estado já possui mais de 10 milhões de doses da Coronavac em estoque. O Ministério da Saúde informou ontem que deverá ser publicado amanhã um novo edital para a compra de seringas e agulhas, visando o programa de vacinação contra a covid-19.

 

A primeira tentativa de compra de 331 milhões de itens ocorreu no dia 29 de dezembro do ano passado, mas o pregão conseguiu adquirir apenas 7,9 milhões de seringas e agulhas. Agora, a oferta será para 290 milhões de itens.

 

Ontem, o governador do Pará, Hlder Barbalho, firmou um decreto proibindo a circulação de embarcações com passageiros vidas do Amazonas, diante da explosão de casos no Estado vizinho.

 

“Isto é uma medida preventiva e fundamental para que possamos evitar a ampliação do contágio dentro do Estado do Pará e principalmente os problemas em Saúde em face à pandemia do coronavírus”, disse. “A partir de amanhã [hoje] nossas fronteiras estarão fechadas para o Estado do Amazonas, com monitoramento da Polícia Militar do Estado, com embarcações e aeronaves.”

 

O Brasil registrou 1.283 mortes provocadas pela covid-19 nas 24h até 20h de ontem, elevando o total de óbitos provocados pela doença para 206.009, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

 

Fonte: Valor Econômico